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Concessão do canal de Santos enfrenta divergências e pode parar na Justiça

Fonte: Jornal Portuário
 
Modelo proposto para administrar o acesso aquaviário do Porto de Santos ainda divide o setor
 
A concessão do canal de acesso ao Porto de Santos enfrenta divergências entre os principais atores do complexo portuário. O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, afirmou que a judicialização não está descartada caso o modelo atualmente em discussão não seja revisto.
 
O projeto está sendo conduzido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e prevê a concessão do acesso aquaviário por 25 anos, com possibilidade de prorrogação por até 70 anos.
 
Entre os investimentos previstos estão o aprofundamento do canal de navegação para 16 metros e, posteriormente, 17 metros, além da implantação do sistema de gerenciamento do tráfego de embarcações (VTMIS), modernização da sinalização náutica e realização de levantamentos hidrográficos.
 
APS questiona modelo
 
A principal divergência está na forma de governança do canal.
 
A APS defende uma estrutura em que o setor privado participe da operação e manutenção, mas o poder público mantenha maior controle sobre decisões estratégicas, investimentos e desenvolvimento da infraestrutura.
 
Para Pomini, as características do Porto de Santos não permitem simplesmente reproduzir modelos adotados em outros portos brasileiros.
 
O debate ganhou força após a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, realizada em 2025 e considerada uma referência para novos projetos do setor.
 
Impacto para o comércio exterior
 
O canal é fundamental para a operação do Porto de Santos. Sua profundidade, manutenção e segurança influenciam diretamente a capacidade de atendimento a navios de maior porte e, consequentemente, os custos e a eficiência das operações de importação e exportação.
 
Por isso, a definição do modelo de concessão interessa diretamente a terminais, operadores portuários, armadores, exportadores e importadores.
 
Outro ponto de atenção é a divisão de responsabilidades entre a futura concessionária, a APS e os órgãos reguladores.
 
Consulta pública
 
A ANTAQ realizou audiência pública para discutir a proposta e mantém aberta a participação do setor. O prazo para envio de contribuições está previsto para 29 de setembro.
 
As manifestações poderão resultar em ajustes nos estudos de viabilidade e nos documentos que estruturam a futura concessão.
 
O processo, portanto, ainda não está concluído.
 
Próximos passos
 
A definição do modelo deverá considerar os investimentos previstos, a governança do canal, a política tarifária e as responsabilidades de cada agente.
 
Caso as divergências não sejam solucionadas durante a fase de discussão, a possibilidade de uma disputa judicial poderá acrescentar incerteza ao cronograma da concessão.
 
Para o Porto de Santos, a decisão vai muito além da administração da dragagem: envolve quem terá responsabilidade sobre uma infraestrutura estratégica para o comércio exterior brasileiro nas próximas décadas.
 

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