Notícias

Operadores logísticos movimentaram R$ 247 bilhões no Brasil em 2025

Fonte: A Tribuna On-line
 
Receita do segmento avançou 18% no ano passado, mas custos impediram um maior crescimento, diz Abol
 
Os operadores logísticos faturaram R$ 247 bilhões em 2025 no País, valor equivalente a quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a 20% dos gastos nacionais com transporte e armazenagem. A receita do segmento cresceu 18%, enquanto 64% das empresas ampliaram sua área de atuação desde o levantamento do ano anterior.
 
Os dados fazem parte do estudo Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil 2026, apresentado na última quinta-feira pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol) e pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).
 
O levantamento estima a existência de 1,5 mil operadores logísticos no Brasil. Os 32 filiados à Abol somam R$ 45 bilhões em faturamento, o equivalente a 18% do mercado. A receita, no entanto, está concentrada: os 17% maiores operadores respondem por 77% do total.
 
Empregos
 
Os operadores logísticos foram responsáveis por 983 mil empregos diretos em 2025. Considerados também os postos indiretos e as cadeias periféricas, o número chegou a 2,8 milhões de trabalhadores, o correspondente a 2,7% da população ocupada no Brasil.
 
O setor também recolheu R$ 57 bilhões em tributos e encargos. Desse total, R$ 8,5 bilhões foram gerados pelas empresas associadas à Abol.
 
Os serviços alcançam todas as atividades econômicas, mas ganharam destaque, em 2025 e 2026, os setores de maior valor agregado. O automotivo e de autopeças aparece na liderança, atendido por 69% dos operadores, seguido pelos mercados de cosméticos, com 62%, e de eletroeletrônicos, com 59%. Em levantamentos anteriores, o segmento de bebidas liderava.
 
Cerca de sete em cada dez operadores registraram crescimento da receita e da carteira de clientes, acompanhado por contratações e investimentos. A margem de lucro, porém, avançou em ritmo inferior ao faturamento, pressionada principalmente pelos custos com combustíveis.
 
Entre as empresas pesquisadas, 44% reajustaram seus preços abaixo do aumento das despesas. Somente 34% conseguiram um repasse semelhante ou superior.
 
Investimentos
 
Os investimentos ficaram concentrados principalmente em softwares, apontados por 83% dos operadores, e na modernização das instalações, citada por 78%. A frota também ganhou espaço, com 64% das empresas investindo na aquisição ou no arrendamento de veículos.
 
Na área de recursos humanos, 89% investiram na qualificação dos profissionais, embora o valor médio aplicado por funcionário tenha caído em comparação com 2024. A contratação pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permanece predominante, adotada por 80% das empresas.
 
Modais
 
Conforme A Tribuna publicou na última sexta-feira, somente 31% das empresas do segmento operam mais de um modal de transporte, o que diminui a eficiência. A falta de infraestrutura, a baixa oferta de rotas e os custos elevados estão entre os principais entraves à ampliação da multimodalidade no País.
 
Para a sócia-diretora do Ilos, Maria Fernanda Hijjar, a redução de custos é importante, mas não é o único fator considerado na escolha de uma solução multimodal. “O operador logístico se diferencia por qualidade, não é necessariamente só pela redução de custos”, afirmou ela, que fez a apresentação da pesquisa junto com a diretora-executiva da Abol, Marcella Cunha.
 
Segundo Maria Fernanda, a multimodalidade funciona bem em algumas rotas e sistemas, mas ainda não possui escala suficiente para provocar uma mudança mais ampla na matriz brasileira de transportes. Ela ressaltou que a transformação depende de uma combinação de fatores, envolvendo operadores, clientes, terminais, sistemas, infraestrutura e investimentos públicos.
 
“Oferecer uma rota talvez reduza o custo da operação, mas não chega a fazer grande diferença para o conjunto do operador logístico, para a margem dele aumentar. Por quê? Porque ele precisa de escala, de mais alternativas, avaliar todas as opções”, salientou.
 
Concentração
 
Ainda há muita concentração quando se fala em meio de transporte para as cargas: 80% passam por apenas um modal (rodoviário), 17% por dois e 3% por três ou mais. O modal rodoviário está presente em 94% das operações, seguido pelo aéreo nacional (21%), aéreo internacional (8%), marítimo internacional (7%), cabotagem (7%), ferroviário (5%) e hidroviário (3%).
 
O transporte aéreo de carga, portanto, segue como o segundo mais utilizado pelos operadores logísticos, em particular pelo alto volume do e-commerce e de cargas sensíveis, como produtos farmacêuticos e perecíveis.
 
Os entraves à multimodalidade de transporte são a indisponibilidade de ativos físicos, a baixa qualidade da infraestrutura e a oferta limitada de rotas.
 

Imprimir Indicar Comentar

Comentários (0)



Compartilhe



Voltar