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Santos 10+: mesmo com investimentos, Porto enfrentará congestionamentos
Fonte BE News
Estudo encomendado pelo Sopesp projeta aponta gargalos em rodovias e no canal de navegação
O Porto de Santos deve movimentar 291,1 milhões de toneladas em 2035, um aumento de 56% ante os 186,4 milhões registrados em 2025. Simultaneamente, os investimentos em equipamentos, instalações, acessos e logística vão conseguir ampliar a capacidade operacional do complexo marítimo dos atuais 250,62 milhões de toneladas anuais para 309,1 milhões de toneladas anuais, uma alta de 23%, deixando o cais santista próximo de seu limite. Os dados integram o estudo Santos 10+, encomendado pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) e apresentado na manhã dessa terça-feira.
Representantes do Sopesp já haviam mostrado as principais informações do Santos 10+ durante o fórum Santos Export, nos últimos dias 28 e 29 de maio, em Guarujá. Mas nessa terça-feira, foi possível uma análise mais detalhada.
O estudo destaca principalmente que, mesmo com investimentos públicos e privados, tanto na infraestrutura do Porto e de seus acessos, como na superestrutura dos terminais, o complexo marítimo ainda enfrentará problemas na movimentação de cargas, com congestionamentos no viário e um canal de navegação próximo de seu limite.
O dado mais crítico do levantamento, aliás, é o impacto do crescimento das operações sobre os acessos terrestres. Enquanto projeções tradicionais, incluindo as da concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes, a Ecovias, estimam crescimento de 20% no fluxo de caminhões ligados ao Porto até 2035, as simulações do estudo apontam aumento de até 136% no mesmo período. Na região Valongo-Saboó, onde hoje circulam cerca de 730 caminhões por hora, a projeção é de 1.431 veículos por hora até 2035. Os pontos críticos identificados são a Alemoa e o Saboó, ambos em Santos, e a região da Rua do Adubo, no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá.
Mesmo com a realização de todas as obras de infraestrutura previstas — a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, a remodelação da Avenida Perimetral da Margem Esquerda do Porto, em Guarujá, e o túnel imerso Santos-Guarujá —, o sistema continuará pressionado. “Mesmo com as obras previstas, vamos continuar com o sistema pressionado na rede Valongo-Saboó”, afirmou Ricardo Molitzas, diretor executivo do Sopesp. Sem as duas obras principais, o diagnóstico é mais severo: “Até 2035, sem a terceira pista da Imigrantes e sem o túnel, a gente para”, disse.
O canal de navegação também se aproxima de seu limite. A média diária de navios deverá passar de 35 embarcações em 2030 — com o canal operando a 15 metros de profundidade — para 40,74 em 2035, cenário que pressupõe o aprofundamento para 17 metros e a ampliação da capacidade operacional do complexo. Segundo o relatório, o canal já se aproxima da faixa considerada internacionalmente como limiar para o início do planejamento de expansão de infraestrutura. O estudo não considerou o modal ferroviário no diagnóstico de acessos terrestres: segundo Molitzas, o novo contrato de investimentos da malha ferroviária, assinado há dois anos, já prevê soluções para os próximos dez anos.
O estudo foi desenvolvido ao longo de oito meses, com mais de 20 entrevistas, câmeras instaladas em 29 pontos de contagem de veículos por 48 horas e análise de sete grupos de carga: granéis sólidos agrícolas de exportação e importação, granéis sólidos minerais, granéis líquidos, carga geral conteinerizada, carga geral não conteinerizada e carga ro-ro. As simulações consideraram cenários com e sem as obras previstas nas áreas de Valongo-Saboó, Outeirinhos e Guarujá.
O presidente do Sopesp, Régis Prunzel, reconheceu que o debate sobre gargalos nos acessos ao porto e impactos sobre Santos, Guarujá e Cubatão remonta ao final dos anos 1980 — quatro décadas sem solução estrutural. “Nós precisamos de ações de Estado, não ações de governo. O nosso estudo é técnico e imparcial. Nós estamos sinalizando onde temos que atacar”, disse. O objetivo declarado do Santos 10+ não é propor soluções, mas apresentar diagnóstico e provocar o debate antes que os problemas se agravem. O documento está sendo distribuído a órgãos públicos federais, estaduais e municipais, e será atualizado anualmente.
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