Notícias

Relatório do novo marco legal portuário segue sem previsão após mais de um mês de atraso na Câmara

Fonte: A Tribuna On-line
 
Texto da proposta ainda não foi entregue; impasse sobre regras trabalhistas segue travando avanço do projeto do setor portuário
 
Pouco mais de um mês após o prazo divulgado pelo deputado federal Arthur Maia (União-BA) para a entrega do relatório final do Projeto de Lei (PL) 733/2025, que tramita na Câmara dos Deputados e trata da atualização do marco legal do setor portuário, o texto ainda não foi apresentado no Legislativo. Segundo a assessoria do parlamentar, que é relator do tema, “o parecer está praticamente pronto, em fase de finalização, momento no qual se fazem os ajustes finos”.
 
No entanto, mesmo após contatos de A Tribuna por mais de uma semana com a assessoria do deputado, não houve detalhamentos a respeito de novo prazo para que isso aconteça, do motivo para o texto estar travado por tanto tempo e quais os pontos ainda em negociação. O prazo de 10 de abril para entrega do relatório havia sido dado em março por Maia, em reunião acompanhada por A Tribuna, em Brasília.
 
O deputado federal é responsável por um texto substitutivo ao projeto em tramitação, já que a proposta atual é manter a Lei dos Portos (12.815, de 2013), e incorporar a ela novas regras. O assunto, no entanto, ainda não andou pela falta de acordo com relação às regras trabalhistas.
 
O deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD) afirma que tem conversado bastante com o relator sobre o relatório. Ele é presidente da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e integrante da comissão especial que discute o PL 733/2025 na Câmara. “Meu papel é garantir que todos os atores envolvidos no processo sejam ouvidos, inclusive os trabalhadores portuários. Hoje, esse é o principal ponto de divergência do projeto”, garante.
 
Barbosa acrescenta que, no restante, “há convergência em temas importantes para o setor, como ampliação do prazo de contratos, segurança jurídica e atração de novos investimentos”. Quanto ao andamento da proposta, o deputado federal lembra que o calendário eleitoral pode acabar atrasando a votação. “Isso vai depender tanto da versão final do relatório quanto do ambiente político da Casa, que hoje não é dos mais favoráveis”, justifica.
 
Federações
 
O presidente da Federação Nacional dos Estivadores (FNE), José Adilson Pereira, lembra que Arthur Maia tem falado que irá trabalhar, para o relatório, em cima da Lei 12.815 - a que está em vigor -, e que vai aceitar o acordo das federações.
 
“Há alguns pontos sempre que temos que trabalhar para resolver. E um ponto fundamental para a gente no debate é a categoria profissional diferenciada. Isso que dá o nosso equilíbrio do acordo perante o setor patronal. Porque nós temos categoria profissional diferenciada. É um ponto que temos debatido. E também a exclusividade”, afirma.
 
Pereira comenta que “várias bases entendem que o que está no acordo mantém a exclusividade, mas a outra base entende que tem de ter a exclusividade mais definida”. “Estamos trabalhando com todos os parlamentares nessa questão de categoria profissional diferenciada. E vendo se melhoramos o texto da exclusividade”, revela.
 
Em 15 de abril, durante reunião em Brasília com representantes dos estivadores de algumas cidades do Brasil, incluindo Santos, Arthur Maia mostrou-se frontalmente contra a exclusividade da categoria no trabalho. Foi o que disse na ocasião o presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão (Sindestiva), Bruno José dos Santos, um dos que participaram do encontro.
 
Já o presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, informou que “o relator já posicionou que vai manter categoria profissional diferenciada. Assim, não há pendência no capítulo laboral”.
 

Imprimir Indicar Comentar

Comentários (0)



Compartilhe



Voltar