Fonte: Sindaport - Diretoria
O SINDAPORT vai ingressar com pedido de anistia política coletiva perante a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos. A solicitação abrange indenização por danos morais porque a entidade sofreu intervenção federal no período da Ditadura militar.
Em 1º de abril de 1964, devido à queda do Governo João Goulart, a diretoria do
SINDAPORT foi destituída.O SINDICATO teve as portas fechadas. Sendo que entre 02 de abril de 1964 e 03 de setembro de 1965, Alberto Muniz foi nomeado interventor da entidade.
Os advogados responsáveis pelo processo são Bruno Luís Talpai e Ruth Coelho Monteiro.
O presidente do SINDAPORT, Everandy Cirino dos Santos, acredita que a indenização será uma reparação histórica por tudo o que a entidade sindical passou ao ter as portas fechadas, a diretoria destituída e sofrer intervenção federal. “Além do SINDAPORT, outros sindicatos portuários também foram fechados pela Ditadura. Uma época triste da história do país, de Santos e do sindicalismo brasileiro”.
Além do SINDAPORT, Everandy Cirino também irá ingressar com pedido individual por ter sido monitorado na época da Ditadura. “Em pesquisa realizada pelo advogado Bruno Talpai, foi descoberto que meu nome consta nos arquivos dos órgãos de repressão. Fui monitorado durante o inicio dos anos 1980, quando atuava como presidente da Associação dos Guardas Portuários”.
Os associados ou familiares de associados que foram perseguidos durante a Ditadura Militar ou atuaram em associações de classe durante esse triste período da história do Brasil podem entrar em contato com o Departamento de Aposentados do SINDAPORT para que uma pesquisa seja realizada. Os advogados consultam o nome do associado e verificam se houve algum tipo de monitoramento e prejuízo durante a Ditadura. A partir daí informações são colhidas para que o requerimento possa pleitear indenização por danos morais.
Segundo a advogada e jornalista, Ruth Coelho Monteiro, os dirigentes do SINDAPORT foram perseguidos, vigiados e alguns deles enfrentaram o cárcere no navio Raul Soares. “Os processos de transição democrática e as leis que foram se sucedendo com o avanço da democracia no Brasil, proporcionaram uma evolução na abordagem da anistia, na busca da verdade, memória, justiça e reparação daqueles que enfrentaram as agruras dos tempos de chumbo, na luta por liberdades democráticas no país”, ressaltou.