Fonte: Sindaport - Diretoria
De acordo com o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a participação das mulheres no mercado de trabalho passou de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras, o que corresponde a um acréscimo de cerca de 800 mil postos. A cada dia, as mulheres estão ocupando mais espaços em funções tradicionalmente desenvolvidas por homens. E essa realidade também está mudando no Porto de Santos.
Segundo pesquisa da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Wista Brazil, as mulheres representam 17,8% da força de trabalho. Se antes ocupavam cargos administrativos no setor portuário, hoje elas já atuam diretamente no cais. Aqui no Porto de Santos, as mulheres passaram a ingressar como trabalhadoras portuárias avulsas por meio de processo seletivo realizado pelo Ogmo. As primeiras mulheres entraram como conferentes de cargas, agora há consertadoras, operadoras de guindaste e estivadoras. E neste mês, o Ogmo diplomou um grupo histórico com 17 mulheres na categoria de Capatazia, marcando o maior contingente feminino já inserido em um único processo seletivo do órgão.
“No início, a entrada das mulheres na operação das atividades portuárias foi vista com reserva por alguns. Mas esse clima hostil aos poucos foi mudando. Porém, acreditamos que muitas medidas ainda devam ser tomadas para a adaptação dessa nova realidade. Não estou falando somente de vestiários e sanitários exclusivos para as mulheres. Mas também de outros detalhes, como uniformes que atendam as necessidades do trabalho, mas que seja adequado às mulheres”, afirma o presidente do SINDAPORT, Everandy Cirino dos Santos.
Para saber a realidade e a quantidade de mulheres que trabalham no Porto de Santos, o SINDAPORT iniciou um levantamento de dados. “O SINDICATO está solicitando informações aos terminais dentro de sua representatividade. O levantamento estatístico acerca da composição da mão- de-obra empregada no Porto de Santos, abrange informações relacionadas ao quantitativo de trabalhadores que exercem suas atividades nas áreas administrativa e operacional, bem como sua distribuição por gênero”, destaca Everandy Ciirno.
O levantamento possui finalidade exclusivamente acadêmica e estatística, destinando-se à elaboração de estudos sobre a composição da força de trabalho no setor portuário, inexistindo qualquer finalidade fiscalizatória, negocial, judicial ou qualquer outro objetivo secundário ou oculto.
Autoridade Portuária
O SINDAPORT sempre teve conhecimento do número de mulheres que atuam na administração do porto. A entrada das mulheres começou na década de 1970 na então Companhia Docas de Santos; aumentou na passagem para Codesp, mas sempre foi concentrada nos setores administrativos da empresa.
“A partir de 2005, com a realização do concurso público para a Guarda Portuária, as primeiras mulheres foram admitidas para a corporação. Também passaram a ocupar cargos no setor de fiscalização. Sendo todas representadas pelo SINDAPORT”, lembra Everandy Cirino.
Na Autoridade Portuária de Santos, 140 mulheres atuam em diferentes funções, entre as quais 83 em atividades administrativas e 57 em operacionais. De acordo com a APS, técnico portuário é a categoria com maior presença feminina, contando com 52 profissionais. Outras 47 mulheres ocupam funções de nível superior, enquanto 14 exercem cargos de liderança.
“Sabemos quanto o Porto de Santos movimenta, quantos navios atracam diariamente, quantos caminhões entram e saem do porto, mas não temos quantas mulheres efetivamente atuam no cais. O SINDAPORT como representante dos trabalhadores precisa ter essa informação. Estamos aguardando o retorno das empresas”.
O SINDAPORT solicitou os dados para a APS, DP World, CLI, Companhia Docas de São Sebastião, Rodrimar, BTP, Eldorado e Ogmo Santos.