Notícias

Instituto Brasileiro de Infraestrutura abre sede em Santos

Fonte: BE News
 
IBI abre terceira sede no país e escolhe município santista para aproximar o debate técnico da realidade das operações
 
O maior porto da América Latina, o Porto de Santos, ganhou na última sexta-feira (27) uma representação permanente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura. O IBI inaugurou sua sede em Santos, no centro da cidade, e a data não foi escolhida por acaso: no mesmo dia, o instituto promoveu dois painéis de debate que mostraram na prática o trabalho que pretende desenvolver na região.
 
A unidade santista é a terceira do instituto, que já mantém sedes em Brasília e São Paulo. A abertura aconteceu durante o evento “Conexões que Transformam: Porto, Educação e Sustentabilidade”, organizado pelo IBI em conjunto com a Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA), e reuniu autoridades portuárias, parlamentares, executivos do setor e pesquisadores.
 
O presidente do Conselho de Administração do instituto, Mauro Sammarco, explicou a lógica da expansão. “Santos é o maior porto da América Latina. Faz todo sentido a gente estar aqui para o desenvolvimento da infraestrutura nacional, mas muito também para a nossa região”, disse. Para ele, a presença física em Santos permite que o instituto atue de forma mais próxima das operações reais do setor, entendendo os problemas do dia a dia antes de levá-los ao debate em Brasília.
 
Essa é a proposta central do IBI: funcionar como uma ponte entre quem opera a infraestrutura e quem legisla sobre ela. O instituto reúne executivos de empresas mantenedoras, consultores de mercado e pesquisadores acadêmicos para construir propostas técnicas que cheguem ao Congresso e ao Senado com embasamento do setor. Com uma sede em Santos, essa articulação passa a contar com interlocução direta no principal complexo portuário do país.
 
PAINÉIS
 
O primeiro painel colocou na mesa uma das questões mais urgentes do Porto de Santos: o que fazer com os resíduos gerados pela dragagem. O tema ganhou peso diante da projeção de aprofundamento do canal de 14 para 16 metros e, em etapa posterior, para 17 metros, o que amplia de forma expressiva o volume de material retirado do fundo.
 
O gerente de Dragagem da Autoridade Portuária de Santos, Mateus Novaes, apresentou o diagnóstico central do debate. “O desafio hoje não é o dragar em si, porque a tecnologia evoluiu muito. O desafio é o que fazer com o sedimento”, afirmou. O modelo historicamente adotado, o descarte oceânico em área licenciada, tem limites ambientais e físicos que se aproximam, enquanto cresce a pressão regulatória por alternativas.
 
“O desafio da destinação hoje passa por três pilares: a viabilidade técnica (entender a característica desse solo), a viabilidade econômica (quem paga a conta desse transporte e tratamento) e, principalmente, a segurança jurídica e o licenciamento ambiental para essas novas formas de descarte”, explicou Mateus.
 
EMPRESAS
 
Uma das duas maiores empresas de dragagem do mundo com atuação no Brasil trouxeram experiências internacionais que apontam um caminho.
 
O diretor da Van Oord no Brasil, empresa que opera a dragagem em Santos, Érick Aeck, apresentou tecnologias de monitoramento em tempo real da dispersão de sedimentos e o uso de modelos matemáticos para prever o comportamento do porto após o aprofundamento do canal.
 
O diretor comercial da Jan De Nul, Ricardo Delfim, foi além e descreveu plantas industriais que já transformam o lodo de dragagem em blocos de concreto, tijolos e solo fértil para agricultura em projetos na Europa e na Ásia.
 
“O Porto de Santos, ao projetar os 16 e 17 metros de calado, tem uma oportunidade única de não apenas fazer uma obra de engenharia, mas de criar uma nova cadeia produtiva sustentável na região. O grande segredo para isso é a caracterização precisa do sedimento logo no início do projeto”, detalhou Ricardo.
 
A contribuição acadêmica veio do professor Rafael Pileggi, da Escola Politécnica da USP. Pileggi desenvolveu uma tecnologia que trata quimicamente o sedimento marinho e o transforma em matéria-prima para impressão 3D de elementos construtivos.
 
“Nós já iniciamos, em parceria com a APS e o apoio do IBI Social, este estudo. O objetivo é que a própria infraestrutura cinza do porto passe a atuar como um indutor de biodiversidade, recuperando o ecossistema que muitas vezes é impactado pela atividade industrial”, explicou o professor.
 
O segundo painel deslocou o olhar para dentro. “O Impacto da Educação Portuária na Relação Porto-Cidade” discutiu como a população de Santos e região se relaciona com o porto que define a identidade econômica da cidade e que caminhos a educação portuária abre para aproximar essas duas realidades.
 
ECONOMIA
 
Para Sammarco, o Porto de Santos segue firme na missão de ser o principal motor da economia brasileira, agora com um olhar ainda mais atento à sustentabilidade e à inovação tecnológica. “Eventos como este do IBI servem justamente para criarmos esse consenso técnico e jurídico necessário para avançar”, concluiu.
 

Imprimir Indicar Comentar

Comentários (0)



Compartilhe


Voltar