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Sindaport denuncia desmandos na Guarda Portuária

Fonte: DCG / AssCom Sindaport



De nada valeram as denúncias passadas de maus tratos e rigor excessivo quanto aos critérios de treinamentos praticados pela Superintendência da Guarda Portuária da Codesp. Os métodos ultrapassados adotados para 30 candidatos que disputam vaga em aberto para a função de Guarda Portuário refletem bem o quão é arcaica e retrógrada a gestão de um dos mais importantes setores da estatal portuária.
 
Expor os postulantes a situações anacrônicas, podendo causar inclusive danos à saúde, beira o abominável e revela o atraso administrativo da Guarda Portuária de Santos em comparação a de outros portos brasileiros, quiçá europeus. Diante de situações vexatórias, humilhantes e desumanas às quais foram submetidos os candidatos, o Sindaport protocolou ofício P.403/2012 demonstrando total repúdio e pedindo providências da presidência da Autoridade Portuária.
 
As denúncias vão desde a exposição à chuva durante horas fazendo uso de calçados e roupas não apropriadas, além de coletes à prova de bala, passando por uma marcha sob sol escaldante por horas a fio. O antiquado e militarizado processo de preparação já foi motivo de muita reclamação em testes realizados no ano de 2005, também para a Guarda Portuária. Na ocasião, os candidatos foram obrigatoriamente submetidos a uma série de exercícios em solo infestado de fezes de pombo, entre outros. Nada mais original.
 
Na Codesp, ao invés de tentar justificar o injustificável diante das várias irregularidades apontadas, o gerente do Contencioso deveria solicitar uma audiência com a Procuradoria do Ministério Público do Trabalho, com a oportuna participação do Superintendente da Guarda Portuária, visando à assinatura de um TAC - Termo de Ajustamento e Conduta para abolir de uma vez por todas tais práticas.
  
Além das barbáries, a Superintendência é alvo de denúncias sobre perseguições, favorecimentos pessoais, punições descriteriosas, arbitrariedades, alteração irregular na jornada de trabalho (já que feita sem qualquer negociação), entre tantas outras. Por conta dos abusos, o Sindaport esteve com o todo poderoso da Guarda Portuária, o qual empenhou sua palavra no sentido de equacionar a situação. Contudo, o compromisso assumido parece ter sido deixado de lado considerando que até a presente data persistem os desmandos.
 
A direção do Sindaport também se reuniu com o presidente da empresa, o que de nada adiantou já que o fã maior de Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, e outros notórios militares continua a desfilar suas velhas técnicas. Uma justa homenagem da Superintendência GP àqueles que com seus "treinamentos" e feitos contribuíram durante 21 longos anos com o País. Ainda que da pior maneira, ser lembrado daqui a 50 anos talvez seja o objetivo do conhecido como "faz tudo".
 
Não bastassem as humilhações proporcionadas pela inexplicável exigência de um esforço acima da capacidade física do ser humano, o responsável pelo treinamento demonstra uma clara intenção de humilhar os treinandos. No bojo da crueldade e dos abusos, o grupo se viu obrigado a eleger um líder, método bastante comum entre os escoteiros. Nada mais moderno e inovador. "Sempre alerta".
 
 Apesar de ter derrubado praticamente todos os superintendentes a quem prestou assessoria, o “faz tudo” segue ditando regras na Codesp, o que é lamentável em termos de administração. Além de suas técnicas inovadoras, o paraquedista elaborou um relatório de caráter confidencial para a presidência da estatal, denegrindo a atividade desempenhada pela Guarda Portuária, categoria que, não por acaso, está sob sua responsabilidade.
 
Por várias vezes o Sindaport apoiou o superintendente "faz tudo", inclusive publicamente, apoio esse respaldado por toda a categoria. Vasculhando o baú de memórias, quando de sua posse comprometeu-se a sanar todas as irregularidades apontadas, o que infelizmente não ocorreu uma vez que continuam as arbitrariedades, lembrando que a categoria segue sem um plano de carreira. Mesmo ciente, segue indiferente.
 
Diante do quadro de absoluto despreparo administrativo, não resta outra alternativa ao Sindaport se não a de ofertar mais uma denúncia ao Ministério Público e pedir ao nobre militar que volte para a caserna, porque lá é o seu lugar. A Guarda Portuária merece um superintendente melhor. Bem melhor.



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